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INCENTIVO CULTURAL (Lei Estadual de Incentivo à Cultura e Rouanet)
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domingo, 26 de junho de 2011

Quinta-Feira, 30/06 às 20 horas - SARAU DE POESIA EM HOMENAGEM A CHICO BUARQUE DE HOLANDA e VINÍCIUS DE MORAES


Na próxima quinta-feira, 30/06, às 20 horas no Teatro Nicionelly Carvalho (Rua Prefeito Chagas, 305 - PL - Centro - Edifício Manhattan) todos estão convidados para o SARAU DE POESIA em HOMENAGEM a CHICO BUARQUE DE HOLANDA e VINÍCIUS DE MORAES.

O Sarau de Poesia acontece na última quinta-feira de cada mês, e sempre um e poeta ou escritor é homenageado.

A entrada é franca. Todos podem participar, lembrando que é o momento de resgatar as poesias guardadas nos livros, gavetas, cadernos... ou aquelas de preferência e de própria autoria; o palco estará livre...

Mas este mês é só escolher as poesias ou músicas preferidas de Chico Buarque e Vinícius de Moraes para compartilhar no palco... porque o palco estará livre...

Soneto do amigo


Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.


É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.


Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.


O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes

Soneto da separação


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes
De todas as maneiras
Que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora
Tá lindo lá fora
Larga a minha mão
Solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão
Chico Buarque
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
Chico Buarque

sábado, 25 de junho de 2011

Terça, 28/06, às 20 horas - Luz, Câmera e Reflexão com o Filme "ANTES DO ANOITECER"






O LUZ, CÂMERA e REFLEXÃO convida a todos para a sessão de cinema do dia 28/06 às 20 horas com o tema "INDIVÍDUOS VERSUS TOTALITARISMO". Neste mês o cineclube Luz, Câmera, Reflexão do ICCBA (Instituto Cultural Cia Bella de Artes) exibiu filmes cujo mote é a luta de indivíduos contra o totalitarismo. Nesta terça, dia 28, a atração será outra obra com um tom polemista: Antes do Anoitecer, do celebrado cineasta Julian Schnabel, conhecido pelo filmes Basquiat e A Borboleta e o Escafandro.

Homônimo de um filme de Richard Linklater, este Antes do Anoitecer retrata a vida de Reinaldo Arenas, poeta e escritor cubano, que passa a ser perseguido e encarcerado em Cuba, já sob o comando de Fidel Castro, por assumir ser homossexual e publicar livros no exterior. Quem interpreta Reinaldo Arenas é Javier Bardem, que foi indicado ao Oscar por este papel, vindo a ganhar o prêmio posteriormente pela marcante atuação em Onde os Fracos Não Têm Vez. O elenco tem ainda Johnny Depp, Olivier Martinez, Sean Penn, Diego Luna e até mesmo o diretor brasileiro Héctor Babenco atuando.
As sessões do cineclube têm entrada franca e rolam às terças, às 20:00 horas, no Teatro Nicionelly Carvalho, no ICCBA. A curadoria é do jornalista Daniel Souza Luz e do professor Lucas Marciano. A idade mínima recomendada para assistir aos filmes é de 18 anos. O Instituto Cultural Cia Bella de Artes fica à Rua Prefeito Chagas, 305, Pilotis, Centro Empresarial Manhattan. Mais informações: (35) 3715-5563.
Email. institutociabelladeartes@gmail.com



terça-feira, 21 de junho de 2011

Conheça um pouco da sede do Instituto Cultural Companhia Bella de Artes















https://picasaweb.google.com/institutociabelladeartes/NossoEspaco

HOJE, 21 DE ABRIL - solstício de INVERNO e também...


- Nascimento do escritor Machado de Assis, Rio de Janeiro, RJ (1839)
Machado de Assis
Machado de Assis foi um escritor e poeta brasileiro. Foi o fundador da Academia Brasileira de Letras e é famoso por muitos de seus livros, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e O Alienista.
Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.
Machado de Assis


- Dia de Nascimento do Escritor Graça Aranha

José Pereira da Graça Aranha (São Luís, 21 de junho de1868Rio de Janeiro, 26 de janeiro de 1931) foi um escritore diplomata brasileiro, e um imortal da Academia Brasileira de Letras, considerado um autor pré-modernista no Brasil, sendo um dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922.


- Dia de Internacional da música

A palavra música vem do grego "mousikê", que significa a arte das musas. Por isto, incluía também a poesia e a dança. E o que todas elas têm em comum? O ritmo!
Dia da Música

É quase impossível dizer quando a música surgiu ou como os homens passaram a utilizar instrumentos para deles extrair som, ritmo, melodias. Ao contrário de outras manifestações primitivas da arte, como as pinturas que ficavam gravadas nas cavernas, a música não podia ser registrada. Isto dificulta ainda mais a tentativa de delimitar o "nascimento" desta expressão.Mas pode-se dizer que os homens pré-históricos ainda não dominavam técnicas artesanais suficientes para fabricar instrumentos musicais, embora já usassem as mãos e pés para marcar ritmo em celebrações de guerra e rituais. E é esse ritmo que interessa observar, porque a partir dele o homem vai começar a buscar outras manifestações: assobios, uivos, gritos que, dentro de uma medida de tempo, vão compor a música em seu estilo mais primitivo.

- Dia da Mídia

"Mídia" significa "informação"; significa que "o meio é a mensagem", como bem definiu na década de 1960 o teórico da comunicação canadense, Marshall McLuhan. Mídia é, pois, todo e qualquer meio que sirva de transporte para transmitir sinais de mensagens, começando pela voz, passando pelos aparelhos de comunicação e finalizando com a camiseta serigrafada. 

- Dia do Intelectual










segunda-feira, 20 de junho de 2011

Conheça um pouco do Diretor "Costas-Gavras" - Filme "AMÉM" do mítico diretor Costa-Gravas no cineclube Luz, Câmera, Reflexão - Terça-Feira, 21/06, às 20 horas


Constantin Costa-Gavras

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.





Costa-Gavras em 2005
Konstantinos Gavras, mais conhecido como Costa-Gavras, em gregoΚώστας Γαβράς, (Lutrá IréasArcádia12 de fevereiro de 1933) é um cineastagrego, naturalizado francês, que se notabilizou por seus filmes de denúncia política e, mais recentemente, de ficção social.

Biografia

Costa-Gavras nasceu no vilarejo de Lutra Iréas (em grego λουτρά Ηραίας), na península do Peloponeso, tendo completado os estudos secundários em Atenas. Após a guerra civil grega (1945-1949), deixou a Grécia para estudar Literatura naSorbonne, em Paris.
Interrompeu seus estudos em 1956, para se inscrever no Instituto de Altos Estudos Cinematográficos (IDHEC), iniciando sua carreira no cinema. Em seguida atuou como assistente de diretores como René ClairYves Allegret,René ClementMarcel OphulsJacques DemyHenri Verneuil, e Jean Becker.
Ganhou destaque no cenário internacional com o filme Z, de 1969, que denuncia abusos da ditadura militar na Grécia, nos anos 1960. O filme venceu o Oscar e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.
Foi nomeado presidente da Cinemateca Francesa em 1981 e novamente em 2007.
Costa-Gavras é adepto de um cinema político, tendo feito muitos filmes sobre as ditaduras, também na América Latina, dentre os quais um dos seus mais famosos, Desaparecidos, Um Grande Mistério (Missing), de 1982, que aborda a ditadura de Pinochet no Chile.
No final dos anos 80 o cineasta mudou-se para os Estados Unidos após o criticado Um Homem, Uma Mulher, Uma Noite, de 1979. Seu penúltimo filme, "Amém", de 2002, criou polêmica ao retratar a relação da Igreja Católica com oNazismo. Seu último filme, de 2005, foi "O Corte", cuja temática é o desemprego e a concorrência no mercado de trabalho.
Sua filha, Julie Gavras, é também cineasta.

Filmografia



Costa-Gavras, no mês de abril 2008, para o filme Eden à l'Ouest
  • Eden à l'Ouest - 2009
  • Le couperet (O Corte) - 2005
  • Amen - 2002
  • Mad City (O Quarto Poder) - 1997
  • La petite apocalypse - 1993
  • Music Box (Muito mais que um crime) - 1989
  • Betrayed (Atraiçoados) - 1988
  • Conselho de Família - 1986
  • Hanna K. - 1983
  • Missing (Desaparecido, um Grande Mistério) - 1982
  • Clair de femme (Um Homem, uma Mulher, uma Noite) - 1979
  • Séction spéciale (Seção Especial de Justiça) - 1975
  • État de siège (Estado de Sítio) - 1972
  • L'aveu (A Confissão) - 1970
  • Z - 1968
  • Un homme de trop (Um Homem a Mais - Tropa de Choque) - 1967
  • Compartiment tueurs (Crime no Carro Dormitório) - 1965

[editar]Prémios e nomeações

  • Recebeu uma nomeação ao Óscar, na categoria de Melhor Realizador, por "Z" (1969).
  • Recebeu duas nomeações ao Óscar, na categoria de Melhor Argumento Adaptado, por "Z" (1969) e "Missing" (1982). Venceu em 1982.
  • Recebeu uma nomeação ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Realizador, por "Missing" (1982).
  • Recebeu uma nomeação ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Argumento, por "Missing" (1982).
  • Recebeu uma nomeação ao BAFTA, na categoria de Melhor Realizador, por "Missing" (1982).
  • Recebeu duas nomeações ao BAFTA, na categoria de Melhor Argumento, por "Z" (1969) e "Missing" (1982). Venceu em 1982.
  • Recebeu uma nomeação ao César, na categoria de Melhor Filme, por "Clair de femme" (1979).
  • Recebeu umanomeação ao César, na categoria de Melhor Realizador, por "Clair de femme" (1979).
  • Ganhou a Palma de Ouro, no Festival de Cannes, por "Missing" (1982).
  • Ganhou o prémio de Melhor Diretor, no Festival de Cannes, por "Section spéciale" (1975).
  • Ganhou o Prémio do Júri, no Festival de Cannes, por "Z" (1969).
  • Ganhou o Urso de Ouro, no Festival de Berlim, por "Music Box " (1989).

Filme do mítico diretor Costa-Gravas no cineclube Luz, Câmera, Reflexão


O cineasta grego Costa-Gravas notabilizou-se pela postura politizada, com denúncias contra ditaduras, a partir do aclamado filme Z, Palma de Ouro em Cannes em 1969, tendo inclusive exposto as arbitrariedades dos regimes militares chileno (com Missing), uruguaio e brasileiro (com Estado de Sítio). O cineclube Luz, Câmera, Reflexão do ICCBA (Instituto Cultural Cia Bella de Artes) tem o orgulho de apresentar neste dia 21 de junho, Amém, uma de suas obras mais recentes.
Amém é baseado em uma história real e naturalmente provocou muita polêmica, ao retratar a inação do papa Pio XII diante do holocausto. Lançado em 2002, o filme retrata como o fato chegou ao conhecimento do Vaticano, surpreendentemente através de um oficial nazista cristão que se indignou com o assassinato em massa de judeus.
As sessões do cineclube têm entrada franca e rolam às terças, às 20:00 horas, no Teatro Nicionelly Carvalho, no ICCBA. A curadoria é do jornalista Daniel Souza Luz e do professor Lucas Marciano. A idade mínima recomendada para assistir aos filmes é de 18 anos. O Instituto Cultural Cia Bella de Artes fica à Rua Prefeito Chagas, 305, Pilotis, Centro Empresarial Manhattan. Mais informações: (35) 3715-5563  
Email. institutociabelladeartes@gmail.com

domingo, 19 de junho de 2011

Terça, 21/06 - Luz, Câmera e Reflexão com o Filme "AMÉM"


O LUZ, CÂMERA e REFLEXÃO convida a todos para a sessão de cinema do dia 21/06 às 20 horas com o tema "INDIVÍDUOS VERSUS TOTALITARISMO", com o filme "AMÉM". As sessões do cineclube têm entrada franca e rolam todas às terças, às 20 horas, no Teatro Nicionelly Carvalho (Rua Prefeito Chagas, 305 - PL - Edifício Manhattan - Centro - Poços de Caldas), no ICCBA. A curadoria é do jornalista Daniel Souza Luz e do professor Lucas Marciano.  informações: (35) 3715-5563; institutociabelladeartes@gmail.com

Sinopse

Durante a 2ª Guerra Mundial, um oficial da SS, desenvolve um produto para tornar mais eficiente a limpeza de tanques. Seu produto, porém, é utilizado para matar os judeus nos campos de concentração. Horrorizado, ele procura o jovem padre Ricardo Fontana que, sendo de família influente, poderia solicitar a interferência do Papa Pio XII para impedir o genocídio dos judeus. Nessa trama se desenrola toda a saga desses dois jovens, um movido pela culpa outro pela consciência e toda a intensa luta para salvar milhões de judeus. Ao mesmo tempo a situação cria a polêmica que persegue a igreja católica até hoje: Qual o seu papel na 2ª Guerra ou como é possível ser cristão e nazista? Amém é considerado por muitos como um filme mais polêmico do que a "Paixão de Cristo" de Mel Gibson. O simples cartaz do filme na França provocou protestos e processos na justiça por católicos fervorosos e apesar disso e de ser um filme falado em inglês, ganhou na França o Cesar (Oscar francês) de melhor roteiro. Dirigido pelo vencedor do Oscar®, Costa-Gravas (Missing - Desaparecido, Um Grande Mistério), Amém é um filme intenso, provocante, histórico e que discute corajosamente a relação polêmica entre o Vaticano e o III Reich.

Informações Técnicas
Título no Brasil:  Amém
Título Original:  Amen.
País de Origem:  França / Alemanha / Romênia / EUA
Gênero:  Drama
Tempo de Duração: 132 minutos
Ano de Lançamento:  2002
Site Oficial: 
Estúdio/Distrib.:  Casablanca Filmes
Direção:  Costa-Gavras

67 anos de Chico Buarque, a unanimidade



Chico Buarque é a voz do Brasil para todos


Há 47 anos na estrada, sem dúvida é titular absoluto da seleção dos craques da MPB e da literatura brasileira, camisa 10. A sua trajetória enche de orgulho os brasileiros que amam seu país e valorizam este povo único, tão bem descrito em “Leite Derramado” e no resto de sua obra. Chico Buarque de Holanda completa 67 anos neste dia 19.
Por Marcos Aurélio Ruy, do portal Vermelho
Não é uma data redonda, mas é uma data de celebração da cultura nacional na pessoa de um de seus principais representantes. Chico Buarque busca a novidade, mas não o novo pelo novo.
Como ele mesmo disse, a música brasileira já traz em si a mudança. Acrescentou conhecimento para a arte, misturando o erudito e o popular, influenciado pela Bossa Nova. Toda a obra desse autor está permeada da alma do brasileiro e do sonho de um Brasil para todos, para todos os brasileiros.
Nos anos 1960 ele escreveu um artigo no jornal Última Hora intitulado “Nem toda loucura é genial, nem toda lucidez é velha”, justamente para mostrar a sua lucidez revolucionária, que é a mesma de quem acredita no socialismo brasileiro como futuro. Foi pioneiro ao imprimir as letras das canções, em 1967, mostrando a semelhante preocupação com letra e melodia.

Seguindo passos de Noel Rosa, que urbanizou o samba, Chico ajudou a politizar a MPB com temas de resistência à ditadura e de denúncia das mazelas do capitalismo dependente. E com isso chamou ainda mais a atenção da censura...
Tanto que em certo momento apenas o aparecimento de seu nome bastava para a obra ser censurada, justamente numa pressão econômica, para ver se o autor cedia. Não cedeu e ainda cutucava a onça com vara curta, às vezes curtíssima, como a canção Cálice, em parceria com Gilberto Gil, que, tendo sido proibida, eles tocaram e cantarolavam num show, quando tiveram os microfones cortados.
Em 1974, lançou um disco com canções de outros compositores tendo como faixa-título, muito apropriada, Sinal Fechado, de Paulinho da Viola. Nesse mesmo LP aparece a música Acorda Amor, sob os pseudônimos Leonel Paiva e Julinho da Adelaide, uma maneira para driblar a censura. Teve inúmeras músicas e peças de teatro censuradas.
O cale-se da ditadura
Avesso a badalações. Chico é a antítese do padrão elitista do artista isolado, excêntrico e, portanto, distante do povo. E como todo grande autor que faz opção pela temática popular, nacional, social e política, passa a ser criticado por setores da elite, principalmente da direita raivosa, com olhos voltados para Miami. Taxado de modo jocoso de “unanimidade nacional”, nunca teve unanimidade.
A crítica conservadora sempre viu em Chico Buarque um “conservadorismo” musical, quando o oposto era a verdade justamente por ele respeitar as raízes populares da cultura e com essa temática trazer inovações para a música popular brasileira. Essa direita fala mal de Chico até hoje, com sempre falou mal de Lula, do PCdoB, do MST, enfim de tudo o que tem conteúdo contrário às suas propostas.
Apoiou-se nos ombros de grandes como Noel Rosa, Pixinguinha, Ismael Silva, Ataulfo Alves, Cartola, Dorival Caymmi, Vinicius de Moraes, João do Vale, mas principalmente João Gilberto, aquem Chico disse que procurava imitar, e o “maestro soberano” Tom Jobim, de quem virou parceiro e é homenageado na música Paratodos. Mas Chico tornou-se referência obrigatória em qualquer trabalho sobre a música popular brasileira e da literatura dos últimos anos. Talvez o nosso artista e escritor mais completo. Não se rendeu às facilidades do mercado e nem cedeu à ditadura – decidiu resistir. É certo que não foi único, mas esteve entre os principais com sua obra engajada politicamente e de uma qualidade sem parâmetros.
Apresenta pela primeira vez em 1964 num show no Colégio Santa Cruz, em São Paulo, a música Tem Mais Samba, onde já mostra ao que veio: ser a voz dos que não têm voz. Os versos dessa canção já diziam “Tem mais samba no homem que trabalha/Tem mais samba no som que vem da rua”.
No mesmo ano participa do Festival da Excelsior com a música Sonho de um Carnaval, interpretada por Geraldo Vandré. Nunca mais parou. Chico já demonstrava a preocupação com o cotidiano e com a vida do homem comum, dos trabalhadores, engajou-se na resistência à ditadura (1964-1985), como ele mesmo disse em entrevista “não poderia deixar de resistir”. A mídia o taxava de “velho”, “ultrapassado”, assim como sempre taxou os comunistas de “jurássicos”, simplesmente porque tudo o que significa defesa da cultura nacional e popular para a elite é antigo. Ao contrário, Chico disse ser “comunável”, ou seja, amigo dos comunistas, sempre buscou aproximar-se e valorizar a nossa cultura, o nosso país.
A Banda
O sucesso disparou com A Banda ao vencer o Festival da Record, em 1966. E no ano seguinte escreve a peça Roda Viva, que dá uma reviravolta em sua carreira. Passa a ser mais perseguido pela ditadura, a ponto de alguns anos mais tarde ser forçado a exilar-se na Itália, de onde voltou “fazendo barulho”, como aconselhou Vinicius de Moraes.
Já denunciava a mercantilização da cultura. Chico tem a obra permeada pela moça da favela que desce o morro de blusa amarela, batendo a panela e vem para o asfalto proclamar seus direitos, como na canção Pelas Tabelas, onde o social e o individual caminham lado a lado para construir uma nova sociedade, com justiça social, liberdade, onde todos sejam iguais em direitos e a vida seja respeitada. Canta o pivete que “vende chiclete e se chama Mané” e a expressão da mãe do guri, que “trouxe uma penca de documentos para finalmente” ela se identificar, como cantou a mãe que lutava para ter o corpo de seu filho assassinado nos porões da ditadura na canção Angélica dedicada a Zuzu Angel.
Essa mistura de temas e sons e a fineza com que trabalhou os temas populares é que a elite não perdoa em Chico Buarque, como em Construção, onde escolhe terminar todos os versos em proparoxítonas (palavras mais raras em nossa língua) para falar da vida de um operário daconstrução e da opressão capitalista do trabalho alienado e, portanto, do trabalhador insatisfeito. Em Cotidiano, diz “meio dia só penso em dizer não, depois penso na vida pra levar e me calo com a boca de feijão”. É o social com individual, da luta incessante de um povo para ter sua vida respeitada.
Chico nunca cedeu a facilidades. Brigou com os militares quando utilizaram A Banda num comercial para o serviço militar, rompeu com a Globo pela prática de censura que tomou conta da emissora. “Não concordo com o monopólio, com o tipo de censura que a Globo andou fazendo”, disse. Anos depois também afirmaria que “o fato de a Globo ser tão poderosa, isso sim eu acho nocivo”.
Com uma visão muito crítica disse que jornalistas têm certo poder e ele não está “para agradar poderosos”. Temática que sempre norteou sua obra. Ia a Cuba frequentemente com diversos artistas participar de festivais, quando Cuba e os cubanos eram proibidos no Brasil.
Há pouco tempo, o compositor carioca criticou a política econômica de FHC e o “príncipe” da sociologia, avesso à críticas contrárias, o chamou de “repetitivo”, justamente pelas conhecidas posições políticas de Chico em apoio ao ex-presidente Lula. Na eleição da presidente Dilma, o ano passado, Chico havia dito que votaria nela por ser a candidata do Lula; no embate do segundo turno voltou à cena afirmando que com o governo Lula “o Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual pra igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai.”
No fim do da ditadura compôs Vai Passar, um verdadeiro hino à liberdade e ao Brasil. Mas sempre com sua lucidez peculiar cantou uma “alegria fugaz, uma ofegante epidemia que se chamava carnaval”, com a clareza de que ainda há muito que fazer para chegarmos ao Brasil que tanto desejamos.
Não cedeu a modismos, fez o trabalho como acreditou que devia ser feito. Mesmo suas obras feitas para momentos específicos nunca perdem a atualidade, comoApesar de Você, que narrava a ditadura, mas também que pode ser o neoliberalismo com suas teses antinacionais.
Também enfrentou problemas com algumas músicas. A sua música em parceria com o teatrólogo Augusto Boal, Mulheres de Atenas, foi criticada por setores feministas, quando o pretendido era justamente o contrário, era atacar a repressão sexual e a opressão machista. Mais grave ainda ocorreu com Geni e o Zepelim, quando as pessoas cantarolavam o refrão da música e jogavam areia em moças que praticavam topless nas praias, no Rio, num efeito totalmente adverso ao pretendido. Chico nunca mais cantou essa canção.
As críticas eram tantas que chegou um momento em que Chico parou de cantar e fazer shows, porque isso prejudicava a sua criação e por querer deixar suas músicas para serem interpretadas por “especialistas”, mas essa decisão não pôde durar muito, o público exigiu Chico Buarque interpretando suas canções. A pérola Meu Caro Amigo, em parceria com Francis Hime, foi feita para Boal no exílio e tornou-se um hino da resistência, assim como Apesar de Você e tantas outras. Esse choro inovador denunciava que “a coisa aqui tá preta”.
Música, teatro, literatura
Chico partiu de sua música, já muito censurada para o teatro na tentativa de dissuadir um pouco essa tenaz censura a si. Suas peças desde Roda Viva também foram confrontadas. Calabar, em parceira com o moçambicano Ruy Guerra, foi inteiramente proibida e inclusive diversas canções e capa do disco censurados após terem sido liberados. Escreveu também Gota D’ÁguaÓpera do MalandroOs Saltimbancos.
A guerra Chico x censura se acentuava. O primeiro livro escrito em 1974, a novela Fazenda Modelo, uma metáfora do Brasil. Escreveu o livro infantil Chapeuzinho Amarelo (1979), a menina que tinha tanto medo, mas que foi superando até que a palavra lobo virou bolo, o bolo da vida e da superação. A dedicação à literatura ficou marcante a partir de Estorvo, publicado em 1991, aí vieram Benjamim (1995), Budapeste (2003) e Leite Derramado (2009). Isso mostra que a sua criatividade e inventividade nunca parou de crescer. Aliás, o próprio Chico afirma que com o avanço de tempo tem ficado cada vez mais exigente.
Chico Buarque representa a cultura do Brasil para todos, do Brasil para os brasileiros. E se o objetivo do artista, do escritor, do intelectual é atingir o infinito, ninguém mais do que Chico atingiu essa meta, como na canção Tempo e Artista, cujos versos afirmam que “num relance, o tempo alcança a glória e o artista o infinito.”
E mesmo antes de John Lennon afirmar com razão que “a mulher é o negro do mundo”, Chico já cantava a alma feminina como ninguém. "Cavalo de sambistas, alquimistas, menestréis, mundanas, olhos roucos, suspiros nômades, a alma à deriva. Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção", disse Ruy Guerra sobre o amigo Chico.
Recentemente ele disse gostar de rap, "o tipo de música que uma vez foi feita, por mim e por outros, com uma temática social, eles fazem isso melhor, porque vêm de lá. Eles falam para sua gente, vêm das favelas e são ouvidos por todos os tipos de pessoas. Eles têm algo a dizer, muito sério." Esse é o Chico das ruas, do carnaval, do samba, da valsa, do choro, da vida, do povo brasileiro. Como disse o cubano Pablo Milanés no programa “Chico & Caetano” (Globo) “Chico Buarque não é de Itália é de Hollanda, mas é do Brasil”.
Pela sua arte e por sua trajetória parabéns Francisco Buarque de Hollanda pelo seu 67º aniversário e obrigado por ser o nosso Chico Buarque.
Chico Buarque, juntamente com Vinícius de Moraes são os homenageados do SARAU DE POESIA do ICCBA no dia 30/06, às 20 horas - Teatro Nicionelly Carvalho - Rua Prefeito Chagas, 305 - PL - Centro - Edifício Manhattan - Poços de Caldas-MG

sexta-feira, 17 de junho de 2011

SARAU DE POESIA: RESULTADO DA ENQUETE - CHICO BUARQUE X VINÍCIUS DE MORAES = EMPATE

RESULTADO - DUELO DE TITÃS

NA TERÇA-FEIRA, DIA 14/06, O RESULTADO DA ENQUETE "DUELO DE TITÃS - ESCOLHA até dia 14/06 quem será o HOMENAGEADO DO SARAU DE POESIA (CHICO BUARQUE ou VINÍCIUS DE MORAES)", FOI O SEGUINTE:

BLOG - TOTAL: 24 VOTOS
CHICO BUARQUE: 12 VOTOS
VINÍCIUS DE MORAES: 12 VOTOS

FACEBOOK - TOTAL: 14 VOTOS
CHICO BUARQUE: 07 VOTOS
VINÍCIUS DE MORAES: 07 VOTOS

RESULTADO FINAL: 38 VOTOS
CHICO BUARQUE: 19 VOTOS
VINÍCIUS DE MORAES: 19 VOTOS

EMPATE

PORTANTO

O SARAU DE POESIA DE 30 JUNHO, ÀS 20 HORAS TERÁ DOIS HOMENAGEADOS

CHICO BUARQUE
e
VINÍCIUS DE MORAES


Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia.
Vinícius de Moraes
O que será ser só
Quando outro dia amanhecer?
Será recomeçar?
Será ser livre sem querer?
Chico Buarque

VINÍCIUS DE MORAES 

1913

Nasce, em meio a forte temporal, na madrugada de 19 de outubro , no antigo nº 114 (casa já demolida) da rua Lopes Quintas, no Jardim Botânico, ao lado da chácara de seu avô materno, Antônio Burlamaqui dos Santos Cruz. São seus pais d. Lydia Cruz de Moraes e Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, este, sobrinho do poeta, cronista e folclorista Mello Moraes Filho e neto do historiador Alexandre José de Mello Moraes.

1916

A família muda-se para a rua Voluntários da Pátria, nº 192, em Botafogo, passando a residir com os avós paternos, d. Maria da Conceição de Mello Moraes e Anthero Pereira da Silva Moraes.

1917

Nova mudança para a rua da Passagem, nº 100, ainda em Botafogo, onde nasce seu irmão Helius. Vinicius e sua irmã Lygia entram para a escola primária Afrânio Peixoto, à rua da Matriz.

1919

Transfere-se para a rua 19 de fevereiro, nº 127

1920

Mudança para a rua Real Grandeza, nº130. Primeiras namoradas na escola Afrânio Peixoto. È batizado na maçonaria, por disposição de seu avô materno, cerimônia que lhe causaria grande impressão.

1922

Última residência em Botafogo, na rua Voluntários da Pátria, nº 195. Impressão de deslumbramento com a exposição do Centenário da Independência do Brasil e de curiosidade com o levante do Forte de Copacabana, devido a uma bomba que explodiu perto de sua casa. Sua família transfere-se para a Ilha do Governador, na praia de Cocotá, nº 109-A, onde o poeta passa suas férias.

1923

Faz sua primeira comunhão na Matriz da rua Voluntários da Pátria.

1924

Inicia o Curso Secundário no Colégio Santo Inácio, na rua São Clemente.
Começa a cantar no coro do colégio, durante a missa de domingo. Liga-se de grande amizade a seus colegas Moacyr Veloso Cardoso de Oliveira e Renato Pompéia da Fonseca Guimarães, este, sobrinho de Raul Pompéia, com os quais escreve o "épico" escolar, em dez cantos, de inspiração camoniana: os acadêmicos.A partir daí participa sempre das festividades escolares de encerramento do ano letivo, seja cantando, seja atuando nas peças infantis.

1927

Conhece e torna-se amigos dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajoz, com os quais começa a compor. Com eles, e alguns colegas do Colégio Santo Inácio, forma um pequeno conjunto musical que atua em festinhas, em casa de famílias conhecidas.

1928

Compõe, com os irmãos Tapajoz, "Loura ou morena" e "Canção da noite", que têm grande sucesso popular.
Por essa época, namora invariavelmente todas as amigas de sua irmã Laetitia.

1929

Bacharela-se em Letras, no Santo Inácio. Sua família muda-se da Ilha do Governador para a casa contígua àquela onde nasceu, na rua Lopes Quintas, também já demolida.

1930

Entra para a faculdade de Direito da rua do Catete, sem vocação especial. Defende tese sobre a vinda de d. João VI para o Brasil para ingressar no "Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais" (CAJU), onde se liga de amizade a Otávio de Faria, San Thiago Dantas, Thiers Martins Moreira, Antônio Galloti, Gilson Amado, Hélio Viana, Américo Jacobina Lacombe, Chermont de Miranda, Almir de Andrade e Plínio Doyle.

1931

Entra para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR).

1933

Forma-se em Direito e termina o Curso de Oficial de Reserva.
Estimulado por Otávio de Faria, publica seu primeiro livro, O caminho para a distância, na Schimidt Editora.

1935

Publica Forma e exegese, com o qual ganha o prêmio Felipe d'Oliveira.

1936

Publica, em separata, o poema "Ariana, a mulher".
Substitui Prudente de Morais Neto, como representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica.Conhece Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo.

1938

Publica novos poemas e é agraciado com a primeira bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford (Magdalen College), para onde parte em agosto do mesmo ano.
Funciona como assistente do programa brasileiro da BBC.Conhece, em casa de Augusto Frederico Schimidt, o poeta e músico Jayme Ovalle, de quem se torna um dos maiores amigos.

1939

Casa-se por procuração com Beatriz Azevedo de Mello.
Regressa da Inglaterra em fins do mesmo ano, devido à eclosão da II Grande Guerra. Em Lisboa encontra seu amigo Oswald de Andrade com quem viaja para o Brasil.

1940

Nasce sua primeira filha, Susana.
Passa longa temporada em São Paulo, onde se liga de amizade com Mário de Andrade.

1941

Começa a fazer jornalismo em A Manhã, como crítico cinematográfico e a colaborar no Suplemento Literário ao lado de Rineiro Couto, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Afonso Arinos de Melo Franco, sob a orientação de Múcio Leão e Cassiano Ricardo.

1942

Inicia seu debate sobre cinema silencioso e cinema sonoro, a favor do primeiro, com Ribeiro Couto, e em seguida com a maioria dos escritores brasileiros mais em voga, e do qual participam Orson Welles e madame Falconetti.
Nasce seu filho Pedro.A convite do então prefeito Juscelino Kubitschek, chefia uma caravana de escritores brasileiros a Belo Horizonte, onde se liga de amizade com Otto Lara Rezende, Fernando Sabino, Hélio Pelegrino e Paulo Mendes Campos.Inicia, com seus amigos Rubem Braga e Moacyr Werneck de Castro, a roda literária do Café Vermelhinho, à qual se misturam a maioria dos jovens arquitetos e artistas plásticos da época, como Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Afonso Reidy, Jorge Moreira, José Reis, Alfredo Ceschiatti, Santa Rosa, Pancetti, Augusto Rodrigues, Djanira, Bruno Giorgi.Freqüenta, nessa época, as domingueiras em casa de Aníbal Machado.Conhece e se torna amigo da escritora Argentina Maria Rosa Oliver, através da qual conhece Gabriela Mistral.Faz uma extensa viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank, a qual muda radicalmente sua visão política, tornando-se um antifacista convicto. Na estada em Recife, conhece o poeta João Cabral de Melo Neto, de quem se tornaria, depois, grande amigo.

1943

Publica suas Cinco elegias, em edição mandada fazer por Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria.
Ingressa, por concurso, na carreira diplomática.

1944

Dirige o Suplemento Literário de O Jornal, onde lança, entre outros, Oscar Niemeyer, Pedro Nava, Marcelo Garcia, francisco de Sá Pires, Carlos Leão e Lúcio Rangel, em colunas assinadas, e publica desenhos de artistas plásticos até então pouco conhecidos, como Carlos Scliar, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Eros (Martim) Gonçalves, Arpad Czenes e Maria Helena Vieira da Silva.

1945

Colabora em vários jornais e revistas, como articulista e crítico de cinema.
Faz amizade com o poeta Pablo Neruda.Sofre um grave desastre de avião na viagem inaugural do hidro Leonel de Marnier, perto da cidade de Rocha, no Uruguai. Em sua companhia estão Aníbal Machado e Moacir Werneck de Castro.Faz crônicas diárias para o jornal Diretrizes.

1946

Parte para Los Angeles, como vice-cônsul, em seu primeiro posto diplomático. Ali permanece por cinco anos sem voltar ao Brasil.
Publica em edição de luxo, ilustrada por Carlos Leão, seu livro, Poemas, sonetos e baladas.

1947

Em Los angeles, estuda cinema com Orson Welles e Gregg Toland. Lança, com Alex Viany, a revista Film.
1949
João Cabral de Melo Neto tira, em sua prensa mensal, em Barcelona, uma edição de cinqüenta exemplares de seu poema "Pátria minha".

1950

Viagem ao México para visitar seu amigo Pablo Neruda, gravemente enfermo. Ali conhece o pintor David Siqueiros e reencontra seu grande amigo, o pintor Di Cavalcanti.
Morre seu pai.Retorno ao brasil.

1951

Casa-se pela segunda vez com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli.
Começa a colaborar no jornal Última Hora, a convite de Samuel Wainer, como cronista diário e posteriormente crítico de cinema.

1952

Visita, fotografa e filma, com seus primos, Humberto e José Francheschi, as cidades mineiras que compõe o roteiro do Aleijadinho, com vistas à realização de um filme sobre a vida do escultor que lhe fora encomendado pelo diretor Alberto Cavalcanti.
É nomeado delegado junto ao festival de Punta Del Leste, fazendo paralelamente sua cobertura para o Última Hora. Parte logo depois para a Europa, encarregado de estudar a organização dos festivais de cinema de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza, no sentido da realização dos Festival de Cinema de São Paulo, dentro das comemorações do IV Centenário da cidade.Em Paris, conhece seu tradutor francês, Jean Georges Rueff, com quem trabalha, em Estrasburgo, na tradução de suas Cinco elegias.

1953

Nasce sua filha Georgiana.
Colabora no tablóide semanário Flan, de Última Hora, sob direção de Joel Silveira.Aparece a edição francesa das Cinq élégies, em edição de Pierre Seghers.Liga-se de amizade com o poéta cubano Nicolás Guillén.Compõe seu primeiro samba, música e letra, "Quando tú passas por mim".Faz crônicas diárias para o jornal A Vanguarda, a convite de Joel Silveira.Parte para Paris como segundo secretário de Embaixada.

1954

Sai a primeira edição de sua Antologia Poética. A revista Anhembi publica sua peça Orfeu da Conceição, premiada no concurso de teatro do IV Centenário do Estado de São Paulo.

1955

Compões em Paris uma série de canções de câmara com o maestro Cláudio Santoro. Começa a trabalhar para o produtor Sasha Gordine, no roteiro do filme Orfeu Negro. No fim do ano vem com ele ao Brasil, por uma curta estada, para conseguir financiamento para a produção da película, o que não consegue, regressando em fins de dezembro a Paris.

1956

Volta ao Brasil em gozo de licença-prêmio.
Nasce sua terceira filha, Luciana.Colabora no quinzenário Para Todos a convite de seu amigo Jorge amado, em cujo primeiro número publica o poema "O operário em construção".Paralelamente aos trabalhos da produção do filme Orfeu Negro, tem o ensejo de encenar sua peça Orfeu da Conceição, no Teatro Municipal, que aparece também em edição comemorativa de luxo, ilustrada por Carlos Scliar.Convida Antônio Carlos Jobim para fazer a música do espetáculo, iniciando com ele a parceria que, logo depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar de bossa nova.Retorna ao poste, em Paris, no fim do ano.

1957

É transferido da Embaixada em Paris para a Delegação do Brasil junto à UNESCO. No fim do ano é removido para Montevidéu, regressando, em trânsito, ao Brasil.
Publica a primeira edição de seu Livro de Sonetos, em edição de Livros de Portugal.

1958

Sofre um grave acidente de automóvel. Casa-se com Maria Lúcia Proença. Parte para Montevidéu. Sai o LP Canção do Amor Demais, de músicas suas com Antônio Carlos Jobim, cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa novas, no violão de João Gilberto, que acompanha acantora em algumas faixas, entre as quais o samba "Chega de Saudade", considerado o marco inicial do movimento.

1959

Sai o Lp Por Toda Minha Vida, de canções suas com Jobim, pela cantora Lenita Bruno.
O filme Orfeu negro ganha a Palme d'Or do Festival de Cannes e o Oscar, de Hollywood, como melhor filme estrangeiro do ano.Aparece o seu livro Novos poemas II.Casa-se sua filha Susana.

1960

Retorna à Secretria do Estado das Relações Exteriores.
Em novembro, nasce seu neto, Paulo.Sai a segunda edição de sua Antologia Poética, pela Editora de Autor; a edição popular da peça Orfeu da Conceição, pela livraria São José e Recette de Femme et autres poèmes, tradução de Jean-Georges Rueff, em edição Seghers, na coleção Autour du Monde.

1961

Começa a compor com Carlos Lira e Pixinguinha.
Aparece Orfeu Negro, em tradução italiana de P.A. Jannini, pela Nuova Academia Editrice, de Milão.

1962

Começa a compor com Baden Powell, dando inicio à série de afro-sambas, entre os quais, "Berimbau" e "Canto de Ossanha".
Compõe, com música de Carlos Lyra, as canções de sua comédia-musicada Pobre menina rica.Em agosto, faz seu primeiroshow, de larga repercussão, comAntônio Carlos Jobim e João Gilbert,na boate AuBom Gourmet, que daria início aos chamados pocket-shows, e onde foram lançados pela primeira vez grandes sucessos internacionais como "Garota de Ipanema" e o "Samba da bênção"Show com Carlos Lyra,na mesma boate, paraapresentar Pobre menina rica e onde é lançada a cantora Nara Leão.Compõe com Ari Barroso as últimas canções do grande compositor popular, entre as quais "Rancho das namoradas".Aparece a primeira edição de Para viver um grande amor, pela Editora do Autor, livro de crônicas e poemas.Grava, como cantor, seu disco com a atriz e cantora Odete Lara.

1963

Começa a compor com Edu Lobo.
Casa-se com Nelita Abreu Rocha e parte em posto para Paris, na delegação do Brasil junto a UNESCO.

1964

Regressa de Paris e colabora com crônicas semanais para a revista Fatos e Fotos, assinando paralelamente crônicas sobre música popular para o Diário Carioca.
Começa a compor com Francis Hime.Faz show de grande sucesso com o compositor e cantor Dorival Caymmi, na boate Zum-Zum, onde lança o Quarteto em Cy. Do show é feito um LP.

1965

Sai Cordélia e o peregrino, em edição do Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura.
Ganha o primeiro e o segundo lugares do I Festival de Música Popular de São Paulo, da TV Record, em canções de parceria com Edu Lobo e Baden Powell.Parte para Paris e St.Maxime para escrevero roteiro do filme Arrastão, indispondo-se, subseqüentemente, com seu diretor, e retirando suas músicas do filme. De Paris voa para Los Angeles a fim de encontrar-se com seu parceiro Antônio Carlos Jobim.Muda-se de Copacabana para o Jardim Botânico, à rua Diamantina, nº20.Começa a trabalhar com o diretor Leon Hirszman, do Cinema Novo, no roteiro do filme Garota de Ipanema.Volta ao show com Caymmi, na boate Zum-Zum.

1966

São feitos documentários sobre o poeta pelas televisões americana, alemã, italiana e francesa, sendo que os dois últimos realizados pelos diretores Gianni Amico e Pierre Kast.
Aparece seu livro de crônicas Para uma menina com uma flor pela Editora do Autor.Seu "Samba da bênção", de parceria com Baden Powell, é incluída, em versão de compositor e ator Pierre Barouh, no filme Un homme… une femme, vencedor do Festival de Cannes do mesmo ano.Participa do jurí do mesmo festival.

1967

Aparecem, pela Editora Sabiá, a 6ª edição de sua Antologia poética e a 2ª do seu Livro de sonetos (aumentada).
É posto à disposição do governo deMinas Gerais no sentido de estudar a realização anual de um Festival de Arte em Ouro Preto, cidade à qual faz freqüentes viagens.Faz parte do jurí do Festival de Música Jovem, na Bahia.Estréia do filme Garota de Ipanema.

1968

Falece sua mãe no dia 25 de fevereiro.
Aparece a primeira edição de sua Obra poética, pela Companhia José Aguilar Editora.Poemas traduzidos para o italiano por Ungaretti.

1969

É exonerado do Itamaraty.
Casa-se com Cristina Gurjão.

1970

Casa-se com a atriz baiana Gesse Gessy.
Nasce Maria, sua quarta filha.Início da parceria com Toquinho.

1971

Muda-se para a Bahia.
Viagem para Itália.

1972

Retorna à Itália com Toquinho onde gravam o LP Per vivere un grande amore.

1973

Publica "A Pablo Neruda".

1974

Trabalha no roteiro, não concretizado, do filme Polichinelo.

1975

Excursiona pela Europa. Grava, com Toquinho, dois discos na Itália.

1976

Escreve as letras de "Deus lhe pague", em parceria com Edu Lobo.
Casa-se com Marta Rodrihues Santamaria.

1977

Grava um LP em Paris, com Toquinho.
Show com Tom, Toquinho e Miúcha, no Canecão.

1978

Excursiona pela Europa com Toquinho.
Casa-se com Gilda de Queirós Mattoso, que conhecera em Paris.

1979

Leitura de poemas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, a convite do líder sindical Luís Inácio da Silva.
Voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Perdem-se, na ocasião, os originais de Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

1980

É operado a 17 de abril, para a instalação de um dreno cerebral.
Morre, na manhã de 9 de julho, de edema pulmonar, em sua casa, na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher.Extraviam-se os originais de seu livro O dever e o haver.

CHICO BUARQUE

1944
 

No dia 19 de junho nasce, na Maternidade São Sebastião, no Largo do Machado, Rio de Janeiro, Francisco Buarque de Hollanda, o quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim.

1949 

Aos cinco anos de idade parece surgir seu primeiro interesse pela música, materializado sob a forma de um álbum de recortes com fotos de cantores do rádio.

1953 

Sérgio Buarque é convidado para dar aulas na Universidade de Roma e a família muda-se para a Itália. Ao partir para a Europa, se despediria da avó com um profético bilhete: "Vovó, você está muito velha e quando eu voltar eu não vou ver você mais, mas eu vou ser cantor de rádio e você poderá ligar o rádio do Céu, se sentir saudades". 
Compõe suas primeiras "marchinhas de carnaval" e torna-se trilingüe, falando inglês na escola (norte-americana) e italiano nas ruas.

1954 

Durante a estada da família na Itália, costumava ficar "instalado no alto da escada, quando o mandavam dormir, para não perder a conversa dos pais" com amigos. A casa, em Roma, é freqüentada por personalidades da cultura brasileira, entre elas Vinicius de Moraes, de quem, mais tarde, se tornaria amigo e parceiro. A família volta a residir no Brasil.

1956/57 

Sua irmã Ana de Hollanda, a "Baía", conta que aos doze, treze anos de idade, já de volta a São Paulo, Chico compôs "umas operetas" que eram cantadas em conjunto com as irmãs mais novas, Ana, Cristina e Pii.
A família muda-se para um casarão na rua Buri, a poucos quarteirões do estádio do Pacaembu. Embora fosse um apaixonado torcedor do Fluminense, a camisa que seu ídolo vestia era a do Santos. Seu nome: Paulo César de Araújo, o Pagão, nome que Chico adota até hoje, em homenagem ao craque, quando veste a camisa número 9 de seu time de futebol, o Politheama. Alguns amigos brincam, afirmando que Chico só se tornou músico porque não conseguiu brilhar no futebol.

1961 

Publica suas primeiras crônicas no jornal por ele batizado de Verbâmidas, do Colégio Santa Cruz. Sonhava um dia vê-las publicadas nas grandes revistas semanais, ao lado de cronistas consagrados.
Sua primeira aparição na imprensa, entretanto, não foi na seção cultural, como imaginava, mas nas páginas policiais do jornal Última Hora de São Paulo. Chico e um amigo "puxaram" um carro para dar umas voltas pela madrugada paulista, uma brincadeira comum na época. A diversão acabou na cadeia. A manchete destacava: "Pivetes furtaram um carro: presos" e estampava a foto dos dois menores, com os olhos cobertos pelas tarjas pretas. A pena imposta pelo juiz dizia que até que completasse 18 anos Chico não poderia sair sozinho à noite.

1963 

Ingressa na FAU - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Frustrando o desejo da avó materna, Maria do Carmo, que sonhava ver o neto desenhando cidades, Chico abandonaria o curso três anos depois. Um dos ingredientes para a decisão é o clima de repressão que toma conta das universidades após o golpe militar de 1964.

1964

Apresenta-se pela primeira vez em um show, no Colégio Santa Cruz. A música Tem mais samba, feita sob encomenda para o musical Balanço de Orfeu - e que Chico ainda hoje considera o marco zero de sua carreira - também é desse ano, quando novos talentos começam a despontar na Música Popular Brasileira, abrindo caminho para a era dos festivais. O espetáculo mais célebre de então seria organizado no teatro Paramount, na avenida Brigadeiro Luiz Antonio, em São Paulo, e ficou conhecido como O fino da bossa, comandado por Elis Regina. No palco de O fino da bossaestariam, entre outros, Alaíde Costa, Zimbo Trio, Oscar Castro Neves, Jorge Ben, Nara Leão, Sérgio Mendes e Os Cariocas.

É realizado, no auditório do Colégio Rio Branco, o show Primeira audição, abrindo espaço para os músicos da nova geração. É lá que Chico mostra, entre outras, a sua canção Marcha para um dia de sol.

1970

Seu retorno ao Brasil é marcado pelo "barulho" organizado por recomendação de Vinicius de Moraes: muita gente o esperando no aeroporto, manifestações de amigos, entrevistas à imprensa e um show marcado na boate Sucata para lançar seu quarto LP, um disco de transição, gravado em circunstâncias complicadas. Afasta-se do samba tradicional, variando mais a linha das composições e revelando novas influências como a toada, emRosa dos ventos, até o iê-iê-iê italiano em Cara a cara. A mudança se reflete também nas letras, nas quais ele parece desvencilhar-se explicitamente do lirismo nostálgico e descompromissado que antes parecia identificá-lo.
Compõe Apesar de você, uma resposta crítica ao regime ditatorial no qual o país ainda estava imerso. Surpreendentemente, a música passaria incólume pela censura prévia e se tornaria uma espécie de hino da resistência à ditadura. Depois de vender cerca de 100 mil cópias, a canção é censurada, o disco é retirado das lojas e até a fabrica da gravadora é fechada. Para o público, não havia dúvidas: o "você" da música era o general Emílio Garrastazu Médici, então presidente da República, em cujo governo foram cometidas as maiores atrocidades contra os opositores do regime. Ao ser interrogado sobre quem era o "você" da canção, Chico responde: "É uma mulher muito autoritária". Após este episódio, o cerco às suas composições endurece.

Participa do Circuito Universitário, com shows promovidos pelos centros acadêmicos das universidades por artistas com dificuldades em mostrar seu trabalho nos meios de comunicação.

Ao lado, entre outros nomes, do arquiteto Oscar Niemeyer, do editor Ênio Silveira, e de seu próprio pai, participa do Conselho do Cebrade - Centro Brasil Democrático - organização de intelectuais publicamente comprometidos com a luta contra a ditadura. A aproximação com o Cebrade lhe valeria, durante bom tempo, o rótulo de membro da "linha auxiliar" de um dos dois partidos comunistas brasileiros, o PCB, pró-Moscou.

1971

Em abril, é vetado integralmente pela censura seu samba Bolsa de amores, composto como brincadeira para Mario Reis, um aplicador contumaz das Bolsas de Valores. A alegação: a letra era ofensiva à mulher brasileira. O LP sai com uma faixa a menos que as doze habituais.
Rompe com a TV Globo e cancela sua inscrição, junto com outros convidados, no VI Festival Internacional da Canção, em sinal de protesto contra a censura e a tentativa de se utilizar o festival como veículo de propaganda a serviço da ditadura.

1980

Fecha contrato com a gravadora Ariola, após doze anos de Polygram. Por ironia do destino, a própria Polygram compraria a Ariola no ano seguinte.
A pedido da bailarina Marilena Ansaldi, faz as músicas para a peça Geni.
Participa da festa do Avante, órgão oficial do Partido Comunista Português, e do projeto Kalunga, em Angola, onde se apresenta, com mais 64 artistas brasileiros, por todo o país. A renda dos shows é destinada à construção de um hospital.
O cineasta argentino Maurício Berú realiza o documentário Certas palavras, sobre Chico Buarque, com participação - em números especiais ou depoimentos - de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Vinícius de Moraes (que é filmado pela última vez), Toquinho, Francis Hime, Ruy Guerra, Miúcha, Sérgio Buarque de Hollanda e outros amigos e familiares.
Ainda em 1980, faz duas músicas para a peça O Último dos Nukupirus, de Ziraldo e Gugu Olimecha.
Lança o LP Vida, que traz, entre outras, a música Eu te amo, feita especialmente para o filme homônimo de Arnaldo Jabor.

1981

Participa, juntamente com Sérgio Bardotti, Antônio Pedro e Teresa Trautman, do roteiro de uma produção milionária: o filme Saltimbancos trapalhões, estrelado pelos Trapalhões.

Após 17 anos na gaveta, o livro A bordo do Rui Barbosa, poema escrito entre 63 e 64, é publicado com ilustrações do amigo Valandro Keating.
Lança os discos: Almanaque e Saltimbancos trapalhões.

1983/84

Em 1983 compõe o samba Vai passar, que no ano seguinte, apesar de Chico negar qualquer relação da música com o movimento, se tornaria uma referência na campanha pelas "Diretas já", da qual participa ativamente.
Para o filme Perdoa-me por me traíres, de Braz Chediak, compõe Mil perdões; para a peça Dr. Getúlio, de Dias Gomes e Ferreira Gullar, compõe a música de mesmo nome; escreve o roteiro e faz várias canções para o filme Para viver um grande amor, do cineasta Miguel Faria Jr. Sai o disco O grande circo místico.
Apresenta-se, depois de nove anos longe dos palcos, no Luna Park, de Buenos Aires. Um encontro-surpresa com o ídolo Pagão, ex-jogador do Santos Futebol Clube - preparado pelo diretor Roberto de Oliveira - ocorre durante as gravações de um especial para a TV Bandeirantes. Pela primeira vez na história do Politheama, Chico não assina "Pagão" na súmula, nem veste a camisa nove durante o jogo.
Lança o disco Chico Buarque 1984.


  1985

Trabalha na elaboração do roteiro e compõe novas canções para o filme Ópera do malandro, de Ruy Guerra, baseado em sua peça. Com Edu Lobo, compõe as músicas para a peça O corsário do rei, de Augusto Boal.

1986

Comanda, ao lado de Caetano Veloso, o programa de televisão, Chico e Caetano, que permaneceu por sete meses na programação da Rede Globo, reunindo nomes expressivos da Música Popular Brasileira, além de estrelas internacionais.

Compõe As minhas meninas para a peça As quatro meninas e, finalmente, coloca letra na canção Anos dourados, uma parceria com Tom Jobim, encomendada pela Globo para ser o tema musical da minissérie de mesmo nome. A minissérie havia ido ao ar com a canção sem a letra porque Chico demorou a escrevê-la, ou como disse numa entrevista "a minissérie é que foi precipitada".

1987/88

Lança o disco Francisco e volta aos palcos dirigido por Naum Alves de Souza. Em 1988, compõe com Edu Lobo as canções para o balé Dança da meia-lua.

1989

Compõe Trapaças, para o filme Amor vagabundo, de Hugo Carvana, onde faz uma ponta interpretando sua própria criação, Julinho da Adelaide.

A editora Companhia das Letras publica o songbook Chico Buarque Letra e Música, com prefácios de Tom Jobim e Eric Nepomuceno, e o texto Gol de letras, de Humberto Werneck. Lança o disco Chico Buarque.


1991/92

Lança seu primeiro romance, Estorvo, publicado pela Companhia das Letras, com o qual ganha o "Prêmio Jabuti de Literatura". Os direitos de publicação de Estorvo são rapidamente vendidos para sete países: França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Portugal. Neste último, a venda atingiu 7.500 exemplares em apenas três dias, surpreendendo a Editora Dom Quixote.

1994/95

Sobe aos palcos, em janeiro de 94, para fazer o show do disco Paratodos, lançado no final de 93 e que é recebido com grande expectativa depois de um jejum de quatro anos sem gravar.
Participa da "Campanha Nacional Contra a Fome e Pela Cidadania", do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.
Escreve o segundo romance, Benjamim, que, lançado em 1995, recebe críticas desfavoráveis de parte da crítica literária, não obstante o sucesso de vendas e os elogios de grandes nomes da literatura.

1996

Nasce, no dia 24 de agosto, no Rio de Janeiro, o neto Francisco Buarque de Freitas, filho de sua filha Helena Buarque e do músico baiano Carlinhos Brown.

Participa da "Campanha pela Paz no Futebol".

1997



Participa do disco Chico Buarque de Mangueira, com regravações de clássicos dos compositores da escola e com uma composição inédita sua, em parceria com Hermínio Bello de Carvalho: Chão de esmeraldas.
Com duas canções inéditas (Levantados do chão Assentamento) e duas regravações (Brejo da Cruz Fantasia), grava um CD para o livro Terra, do fotógrafo Sebastião Salgado, publicado com texto do escritor português José Saramago. O trabalho foi lançado no dia 17 de abril, véspera do aniversário do massacre de trabalhadores sem-terra em Eldorado dos Carajás, região Norte do Brasil.


1998

É o homenageado no desfile em que a Mangueira sagrou-se campeã do carnaval de 1998.
De Paris, escreve artigos para os jornais O Estado de S. Paulo e O Globo durante a Copa do Mundo.

O CD As cidades, com sete canções inéditas e quatro regravações, chega às lojas cinco anos depois de Paratodos. É seu primeiro trabalho lançado na Internet.

2000

O filme Estorvo, de Ruy Guerra, concorre à Palma de Ouro do 53º Festival Internacional de Cinema de Cannes. Baseado em romance homônimo de Chico, é uma co-produção de Brasil-Cuba-Portugal. Traz no elenco o cubano Jorge Perugorría e os brasileiros Bianca Byington, Leonor Arocha e Tonico Oliveira.
A versão cinematográfica de Estorvo marca mais uma parceria de Ruy Guerra e Chico. Eles já haviam trabalhado juntos na peça Calabar e na adaptação para o cinema do musical A Ópera do Malandro.


2001

Faz as letras para as canções de Edu Lobo para a peça Cambaio de Adriana e João Falcão

2002

Sai, pela BMG o CD DUETOS que reúne 14 das mais de 200 participações de Chico cantando com outros artistas. Neste CD participam Elza Soares, Mestre Marçal, Ana Belén, Nara Leão, Zeca Pagodinho, Sergio Endrigo, Nana Caymmi, Johnny Alf, Pablo Milanés, João do Vale, Dionne Warwick, Miúcha, Tom Jobim e Elba Ramalho. 
 
É lançada também a caixa Construção, que reúne em CD os álbuns publicados entre 1966 e 1985 e traz de bônus um cd com 19 outras canções, em sua maior parte, duetos com outros artistas (Elis Regina, Fagner, Toquinho, Nara Leão, Milton Nascimento, Djavan, MPB 4, Nara Leão, Pablo Milanés, Trio Esperança, Quarteto em Cy, MP4 e Zizi Possi). 

2003

Chega aos cinemas o Filme Benjamim, dirigido por Monique Gardenberg, e que tem no elenco Paulo José, Cléo Pires, Danton Mello e Chico Diaz. 
 
A Cia. das Letras publica BUDAPESTE, seu terceiro romance. O livro fica na lista de mais vendidos por diversos meses e, na seqüência é traduzido para mais de 6 idiomas. 
 
O documentário Chico ou O País da Delicadeza Perdida, do selo Videofilmes Produções Artisticas, com direção de Walter Salles e Nelson Motta sai em DVD.